Bruna Surfistinha

Esta é sociedade em que vivemos. As pessoas tornam-se famosas e reconhecidas da noite para o dia, não como fruto de empenho, conhecimento, esforço e dedicação, mas sim através do fator sorte (ou exposição). É o caso de alguém arriscar-se a ser jogador de futebol ou modelo: a probabilidade de sucesso é bem pequena, uma loteria em suma. Entretanto, ser um médico ou outro profissional qualquer mediano, que consiga o seu sustento por práticas reconhecidamente úteis à sociedade, é uma prática que tem uma taxa de sucesso bem maior.

O acaso e a oportunidade fizeram a Bruna Surfistinha, pseudônimo de Raquel Pacheco. Ex-prostituta e atriz pornográfica brasileira, ela tornou-se célebre na internet a partir de 2005, quando montou um blog onde narrava sua vida, em particular o que fazia com seus clientes.

A história de Bruna ganhou cara de conto fadas quando um de seus clientes separou-se para viver com ela. De prostituta a namoradinha (do Brasil?) foi entrevistada pelo Jô Soares (vídeo abaixo).

Como relatado no vídeo, ela achou que seus pais foram muito rigorosos: não a aceitaram de volta após ter decidido sair de casa com o propósito de se prostituir, sabendo eles desse fato. Tirando-se de lado o mérito moral, a rejeição era obviamente esperada, embora ela tenha parecido um pouco surpresa com isso.

O Brasil é o país do BBB.  Sucesso do momento, permite a todos exercer seu lado voyeur além de opinar sobre a vida alheia. Não é a toa o sucesso do programa aqui no Brasil. Já que todos adoram dar uma “espiadinha”, o site/blog da Bruna possibilita que todos possam ver o seu dia-a-dia (o dela, claro), assim como suas novas tatuagens, o ingresso no curso de inglês, as revistas, documentários e similares que está fazendo. No meio de tanta irrelevância, o site é repleto com o merchandising de seus livros, como “O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de uma Garota de Programa” (lançado em 2005, vendendo 140 mil cópias até 2006). No livro encontramos:

Transas enlouquecidas, surubas, muitos homens (e mulheres) diferentes por dia, noites quase sem fim. O que pode ser excitante para muitas garotas como eu, na efervescência dos vinte anos, para mim é rotina. É meu dia-a-dia de labuta.

Os assuntos que a Bruna domina são voltados para o público adulto apenas: “O que Aprendi com Bruna Surfistinha” (2006) e “Na cama com Bruna Surfistinha” (2007) são o segundo e terceiro livros, respectivamente, de sua autoria.

Levando vantagem sobre a vantagem alheia

A ex de seu namorado, Samantha Morais, pegou carona também neste sucesso, aparecendo na mídia e escrevendo, em 2006, o livro Depois do Escorpião: uma História de Amor, Sexo e Traição. Em apenas um mês o livro vendeu cerca de 5 mil exemplares.

A moral da história

Cada um escolhe a educação que dá para cada qual. O maior problema é viver imerso em uma sociedade que só atenta para o supérfluo e para o irrelevante, para a prostituição das idéias que são apregoadas e não honradas. Talvez o maior problema social que temos é a falta de diversidade de exemplos, ficando evidenciado apenas que o oportunista seja o vencedor. Vide o Hugo Chavez (sic). Ou seja, a Bruna joga segundo as regras que estão aí socialmente disseminadas.

Os valores éticos e todos aqueles que gostaríamos de ver, vindos lá daquele ponto mais plano do Brasil (ou mesmo de sua cidade),  devem estar mais ou menos na mesma dimensão de interesse que o descrito neste artigo. O mundo, afinal, é das celebridades, das top models e das Cicciolinas da vida. E a estruturação da sociedade brasileira vai se fazendo de acordo com os valores predominantes, reflexo do valor que se dá a cada cidadão por todos nós.

Afinal também, “se ela pode, porque eu não?” (ou “se eles podem …”)

Não exatamente como o caso da Bruna mas os pais vão assim vendendo suas filhas (e filhos) desde a  infância. Esse tipo de prostituição, especialmente devido à falta de opção, é o mais triste de todos.

(Colaborou o chapado com a censura habitual)

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5 Respostas

  1. Espoleta,

    Eu sei que ainda verei sexo explícito na TV brasileira no horário nobre, sem cortes. Não é ser puritano, nem próximo disso, mas o tempo que a TV investe em bobagens e exploração sexual é de irritar. Se pelo menos houvesse alternativa no número de canais, o impacto seria minimizado. Por outro lado, sempre há a alternativa verde : economizar energia elétrica desligando a TV 🙂

    Obs. O Jô Soares irrita.

  2. Ficou legal, um dia aprendo a escrever bem assim haha

  3. Prefiro a alternativa green. 🙂

  4. oops! censurei um comentário? não era nada de importante mesmo. era de alguém que não leu o chap 9001… 🙂 vai ser assim de agora em diante…

  5. Aqui é igual o Brasil: a lei funciona diferente dependendo da pessoa rs

    Ai depois reclamam do Brasil haha

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