Jornalismo de qualidade : saia justa na entrevista de FHC (com vídeo).

Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, a imprensa já descobriu como obter índices de audiência em programas de entrevista. Ao invés de servir apenas como palanque de um político, onde intermináveis monólogos entediantes servem como mera propaganda, não há perguntas combinadas ou assuntos “intocáveis”. Exemplo claro desse estilo é o americano “Meet the Press“, onde todos domingos discussões atuais (e de interesse americano) são discutidos ao vivo, sem cortes, sem scripts prontos.

O impacto desse programa é enorme e participação de jovens personalidades políticas serve como teste para suas ambições futuras. Infelizmente, programas como esse não foram importados para nosso país, ao contrário da montanha de lixo apresentada nos últimos anos (Big Brother, O Aprendiz, etc.). No Brasil, o programa que mais chegou próximo desse jornalismo foi o “Roda Viva“, da Rede Cultura, muito embora o único aspecto intimidador não seja o assunto da entrevista, mas sim a aparência de arena romana do estúdio.

Talvez seja por isso que nossos políticos e celebridades não estejam habituados a responder perguntas diretas, sem mea culpa, sem intervalos comerciais estratégicos, ao vivo, em canais de televisão. Prova disso pôde ser vista no ano passado, quando nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi convidado para uma entrevista no programa inglês “Hard Talk“. Graças ao Youtube e um devoto anônimo (olhoseternos), vocês poderão assistir essa entrevista que ainda não foi exibida no Brasil.

PARTE 1 :

PARTE 2 :

2 Respostas

  1. Vai chegar o dia que todos nós brasileiros entenderemos que quem é posto em cargos políticos é pago através dos nossos impostos.
    Quando o polititico decide seu salário, em detrimento dos seus patrões (que, em princípio, somos nós) que são obrigados a amargar um serviço público de 20a. qualidade (igualmente pago por nós), algo deve estar errado.
    Sempre foi assim e sempre será assim. Desde a época dos romanos até hoje.
    Enfim. Quem lá está é reflexo de quem somos ou do que fomos.
    Durante essa entrevista, o fh fica meio que indignado pelas perguntas que são feitas, assim como quem acha que é o rei da cocada e que acha que está além da responsabilidade de ter que responder.

    Você, caro Jen, outro dia advertiu-me por eu sempre fazer alusão ao Collor quando falo do Lulla (🙂 ). As falas arrogantes, o discurso vazio e sem conteúdo, e, especialmente a falta de comprometimento (de fato) com o povão, antes, durante e depois, (dá até prá fazer estatísticas) está aí.
    Tudo farinha do mesmo saco e a entrevista comprova.

    Fizeram alguma coisa? Com certeza. Mas foi muito pouco! Acho que pelo menos poderiam ter mais empenho antes de dizer que não deu prá fazer (o que nunca é dito). A evolução do PIB per capita, que publicarei ainda, mostra que nada evoluiu muito nesses últimos 40 anos. Ao contrário da Argentina, que com todos os mandos e desmandos, sempre conseguiu um PIB pc maior que o nosso. Nada tenho contra ou a favor de nuestros hermanos (até tenho mesmo bronca deles como qq um🙂 ), ou que eles tenham mais isto ou aquilo que nós. De fato, passaram até por piores que nós e até nem estão tão mal assim e nem evoluiram tão mal, com todas as restrições industriais e de reservas naturais que têm, solo e afins (gelo, etc).

    Não se esqueça dos links da entrevista do Lulla.

  2. O ponto central do post é da existência de um jornalismo que não se contenta em afagar os políticos ou personalidades, tendo medo das represálias futuras. Os blogs podem cumprir esse papel mas estão restritos às pessoas com acesso à internet.
    O vídeo do ex-presidente serve perfeitamente como exemplo da falta desse jornalismo. Quanto ao que ele falou, é notório que ele quer ser lembrado como iniciador de idéias e redentor do país, mas seu ego político impede que reconheça seus erros.

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