Sobre o manifesto de Pedro Cardoso contra a nudez no cinema e TV : o lado do espectador

Polêmico ou não, o manifesto em forma de desabafo feito pelo ator Pedro Cardoso no Festival do Rio serviu para encher as conversas de muitos anônimos e famosos brasileiros.

Seu discurso foi claro: “Minha tese: a nudez impede a comédia e o próprio ato de representar. Quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, e nunca o personagem” (UOL).

Ele ainda denunciou que “empresas que exploram a comunicação em massa” aproveitam-se de “uma conquista contra excessos da repressão à vida sexual” como “um modo de atrair público”. Nesse esquema existe também a “conivência de escritores e diretores — alguns deles, em algum momento, verdadeiros artistas; outros, nunca!” e “é sobre as atrizes que a opressão da pornografia é exercida com maior violência”. Também denuncia que “é freqüente que cineastas de primeiro filme exibam a amigos, em sessões privê, cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz”.

Podem ter certeza que nas próximas semanas os grupos que defendem a liberdade de expressão levantarão com ardor suas bandeiras contra os que defendem o fim da exploração sexual. Entre a batalha de palavras que serão atiradas ao vento, creio que o Pedro Cardoso merece meu respeito por ter iniciado (ou pelo menos exposto) uma discussão importante, e que venho tendo com meu amigo Chapado há um bom tempo. Não especularei os motivos que o levaram a se expor publicamente dessa maneira, já que seria mera imaginação minha e desviaria do assunto em si. Enquanto ele expôs a realidade dos trabalhadores que fazem o cinema e TV, apenas defenderei meu tufo nessa grama, isto é, o de consumidor da TV aberta brasileira.

Que as empresas que gerenciam a televisão brasileira estão explorando o sexo de forma escancarada, sem o mínimo pudor, com o simples objetivo de aumentar sua audiência (e assim, sua verba com propaganda publicitária), todo mundo já está cansado de saber. Basta assistir 5 minutos de TV no horário “nobre” ou numa tarde de domingo.

Penso ser inaceitável que pessoas entoem a liberdade de expressão como  elemento de defesa ao uso da nudez como ferramenta artística nos meios de comunicação aberto. Esse é um argumento sem fundamento, apesar de ser sonoramente correto. No meu entender, fazendo uma analogia simples, você pode ter liberdade para andar na rua mas isso não implica que possa adentrar  num terreno vizinho sem autorização. Ao contrário, a TV brasileira age como se nossas casas estejam sempre de portas e janelas abertas à qualquer lixo que queiram, sem o mínimo compromisso com seus telespectadores. Liberdade de expressão é ser livre para pessoas criarem qualquer conteúdo que queiram, usando inclusive a nudez. No entanto, a distribuição deste conteúdo para nós, consumidores, não pode ser uma ditadura.

Percebam que isso não é ser moralista. Soa moralista, mas não é. É comum escutarmos que os incomodados deveriam simplesmente desligar a TV. Esse seria um argumento válido se a  programação fosse integralmente fechada pois teríamos algum controle sobre seu conteúdo (vejam os canais pagos, por exemplo). No entanto, estando a população brasileira majoritariamente sujeita à TV aberta, torna-se uma responsabilidade das emissoras em prover uma programação que não ofenda pessoas sobre questões raciais, religiosas, políticas e, porque não, sexuais. Infelizmente, ironizando a empresa líder de audiência no país e que mais explora essa estratégia, continuaremos sofrendo com o “padrão Globo de qualidade” por mais tempo se não expressarmos nossas opiniões.

Para encerrar, notem que sexo jamais será o problema. Muito ao contrário. Quem dera tenhamos em breve diversos canais abertos que discutam o assunto de forma educativa e, caso alguém queira algo mais quente, que tenha a opção de ter canais dedicados.

Obrigado pela leitura.

3 Respostas

  1. Parabens!Pornografia *é* prostiuição. E mulheres que excitam homens que não são(pelo menos)
    seus companheiros são prostitutas. E todos sabemos dos problemas que a prostituição causa ao espírito.

    Sim a desrepressão e ao amor.É isso que os anos 60 nos ensinaram. Não deixemos esse lindo espírito se tranformar em uma aberração qualquer.

  2. A televisão aberta brasileira está se transformando num antro de inversão de valores: estimulação da sexualização precoce, desrespeito aos direitos humanos, incitação à violência, ridicularização das pessoas, escárnio das diferentes opções sexuais, fotos da Playboy mostradas em programas no horário da tarde, uso da imagem da mulher como um mero objeto sexual de uso e desuso, dançarinas seminuas em programas de auditório, dançarinas que recebem o foco das câmeras em suas partes íntimas, nudez obscena, pornografia disfarçada de entretenimento e/ou comédia!

    Programas que veiculam esses valores deturpados: Zorra Total, novelas em geral Pânico na TV, Super Pop, Domingo Legal, Caldeirão do Huck, Tv Fama, E MUITOS OUTROS!

    BASTA!

    Precisamos, podemos E DEVEMOS denunciar!
    O telefone para denúncias de qualquer tipo de baixaria na tv é o 0800-619-619, ou pelo email eticanatv@camara.gov.br!

    Vamos fazer nossa parte!Denunciar e passar essa informação adiante!

  3. Obrigado pelos comentários.
    A situação da TV brasileira está tão escandalosa que já ultrapassou os limites do aceitável. Fica satisfeito que outras mentes ecoem o mesmo sentimento.

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