Golden Shower – Video Computer System (vgm-bonus II)

Frogger
Frogger – Atari 2600

Aclamado vencedor do prêmio “Melhor videoclipe de música eletrônica” no VMB2000 o grupo Golden Shower (sem referência à nenhuma modalidade de fetiche erótico) fez grande sucesso ao lançar “Video Computer System”, incorporarando um mix com os “ruidos” do console Atari 2600 num video onde o personagem principal é um gamer pixelado viajando por entre os clássicos do console. Além dos inconfundíveis games (pac-man, frogger, river rider entre outros), ainda há a referência-mor das sátiras do início do século, sim, Matrix =].

Pra quem não conhece, a dupla de músicos é especializada em música eletrônica inspirada nos moldes oitentóides e fizeram alguns outros trabalhos bacanas como Total Control, Cotrofe e Robotfunk – The Future. Vocês podem ler mais informações e baixar as faixas no site da banda: http://www.goldenshower.gs/

Mais artigos sobre VGM no blog:

https://chapado.wordpress.com/2008/05/16/compondo-bits-vgm-parte-i/

https://chapado.wordpress.com/2008/07/07/vgm-bonus-i/


Nintendo a capella (vgm-bonus I)

Tetris NESComo já foi dito anteriormente, a forte cultura por de trás das músicas dos jogos levam artistas a dedicarem trabalhos muito bacanas sobre isso. Além de instrumentistas vemos grupos de cantores com apresentação em coro e representações teatrais de alguns classicos da Nintendo. Aqui vou destacar Tetris. Um marco no seguimento Puzzle (quebra-cabeça) e provavelmente o responsavel pela liderança da empresa no ramo dos portáteis desde o lançamento do GameBoy. Este jogo foi desenvolvido por 2 engenheiros e um estudante soviéticos e sofreu brigas judiciais por anos pela sua autoria. Foi lançado pra praticamente todas as plataformas imagináveis, de computadores ligados à osciloscópios até minigames de barraquinhas, celulares ou mesmo Televisões (sim, a Philips da minha tia tem um Tetris embutido pra ser jogado pelo controle remoto). Na sua trilha encontra-se Korobeiniki, uma música folclórica russa de 1861 (que é cantada no video) assim como outros temas russos, entre eles um trecho de uma composição de Tchaikovsky.

Enfim, Nintendo a capella:

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Compondo bits (vgm parte I)

Pra quem não sabe, uma das minhas especialidades (talvez uma das poucas) é reproduzir na guitarra temas clássicos de games, portanto cedo ou tarde acabaria falando disso.

Existe uma grande cultura (muitas vezes “silenciosa”) por trás das músicas dos jogos eletrônicos. Video-Game Music (ou VGmusic) é um gênero musical distinto, influênciado pelos sucessos de sua época e moldado por suas limitações, mas ainda um parâmetro indispensável para criações dos temas dos jogos atuais. Acontece que muito do que se ouve hoje nos games é influenciado e até mesmo derivado de trabalhos de mais de 20 anos, numa época que sintetizadores eram artigos de luxo e a música eletrônica não era uma padaria.

Compensando hardware com criatividade

Como bem sabemos, há 2 décadas era inviável digitalizar uma gravação com qualquer qualidade para que fosse usada em um jogo de video-game (Laser Disc considera-se como sinônimo de “inviável”).
A solução foi armazenar em chips a informação que seria transmitida para a saida de audio. A princípio, jogos extremamente simples somente usavam o recurso para seus efeitos sonoros e/ou algum fundo musical de abertura, as músicas eram monofônicas e repetitivas. Conforme os consoles tomavam conta dos lares os jogos se tornaram mais complexos e longos, exigindo músicas mais elaboradas e temas distintos para as fases, temas de inimigos e menus. A solução era fazer dos poucos sons que a máquina podia reproduzir, tons e ruidos em frequências diferentes, alguma coisa que fosse aproveitável. Nesse ponto saem os programadores que pouco entendiam realmente de musica, mas que até então mantinham o domínio sobre este seguimento, e entram os nomes que compuseram a história dos games através de suas melodias. Talvez o mais importante “desconhecido” nesse ramo seja o compositor japonês Koji Kondo. Limitado a nada mais que 3 canais de som (fontes de sons independentes) compôs em melodia, harmonia e percusão o mais executado vgm de todos os tempos, OverWorld – Super Mario Bros. (nintendo, 1985), prova disso é o número absurdo de audios e videos de bandas, solistas e orquestras que encontramos na internet reproduzindo esse tema. E isso não é por acaso, Kondo foi o primeiro compositor profissional a se aventurar em programar músicas para video-games, onde mantem-se até hoje trabalhando exclusivamente para Nintendo. Da mesma época podemos citar Mark Cooksey compositor dos temas PaperBoy (Elite Systems, 1986), Bomb Jack (Tehkan, 1984) e com certeza o mais importante dos seus trabalhos: Ghosts’N Goblins (capcom, 1985).

Mega ManSempre no limite da capacidade do hardware, os jogos de grande sucesso foram (e serão) ricos em detalhes, e na música isso não é exceção. Como um grande exemplo posso citar a série MegaMan, ou RockMan no Japão (capcom, 1987).

O mascote azul da Capcom cruzava por mais de 10 fases com temas diferenciados caprichosamente compostos, alguns se assemelhando à pequenas peças de rock

Explorando uma linguagem cinematográfica, Ninja Gaiden se consagrou no fim dos anos 80, mérito destinado também a sua trilha. Jogo tem inúmeras versões, inclusive uma recente para NDS. Abaixo Contra da Konami, um dos jogos mais ferrenhos da história

Contra

progressivo, explorando minimalismos, dissonâncias e mudanças de compasso. Quase sempre reforçando a ação do jogo com um rítmo puxado, mas também variando para melodias calmas e até melancólicas. Na mesma onda temos Ninja Gaiden (tecmo, 1988 ) outro game expressivo que além do seu roteiro maduro e grande desafio, trazia composições marcantes que casaram perfeitamente com a linguagem cinematográfica que foi dada ao game.

O maior clássico do gênero run and gun, Contra (konami, 1987), conta a história de Bill Rizer e Lance Bean na luta contra a invasão alien no planeta Terra no ano de 2633. Até hoje este side-scrolling é referência de cooperatividade e dificuldade. Contra mantinha seu clima de tensão com um misto de marchas militares e riffs que humildemente se comparam às composições de bandas de rock-progressivo e heavy-metal. Aqui vai um link de um speed run para quem não teve a oportunidade de conhecer o game, apreciem =].

Estes são apenas três jogos de dezenas que superaram o tempo. A cada console eles retornam, muitas vezes sem grandes novidades, optando manter as carateristicas que os tornaram o que são, e claro, fazendo releituras de muitas das suas clássicas melodias.

Fechando o primeiro post dessa série sobre VGmusic, aqui vai a abertura de Ninja Gaiden de NES.

até mais.

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Fontes:

http://www.wikipedia.org/

http://www.retrobits.com.br/site/especiais/especial-mega-man-a-serie-classica

Obs: assim como o site retrobits, optei por usar a capa do relançamento de megaman no lugar da original por uma questão de estética e bom senso da minha parte.